Fiz recentemente uma viagem à Capadócia, região central da Turquia, com minha esposa, Malu. Ao chegar, me recordei de tudo aquilo que eu tinha considerado ver por ali e um dos primeiros pedidos que fiz para o nosso guia foi “eu quero fazer o passeio de balão sugerido por vocês”. Porque eu estava fazendo isso? Gosto de aventuras e passeios, mas não gosto de correr riscos. Eu já havia me aventurado pela incrível Índia, andado de elefante e sobrevoado o Everest. Tudo isso estava calculado, mas passear de balão...
E chegaram o dia e a hora. Confesso que estava meio nervoso e ansioso. Mas neste momento a coragem tinha que ser mais forte e rapidamente Malu e eu entramos no cesto. Éramos em 12 pessoas entre coreanos, brasileiros e outras nacionalidades. Eu não podia imaginar que o cesto era tão grande e que nele cabiam tantas pessoas. Dividido em quartos, havia, no centro, um lugar exclusivo para o comandante. Ele era Inglês, mas falava o português com sotaque de Portugal.
Estávamos prontos para a partida e recebemos as instruções. Nenhuma regra para a subida, a não ser não fazer grandes movimentos, mas para a descida deveríamos ficar todos de cócoras e encostar nossas costas no cesto porque o vento define o local da descida, ou seja você sabe de onde vai partir mas não sabe onde vai descer. ("E só agora recebo esta informação?"). A explicação foi que ao tocar o solo o balão não permanece parado porque continua sofrendo a ação do vento e por um pouco de tempo ele o arrasta pelo chão. Por isso a posição de cócoras na descida, protege a pessoa de cair do cesto ou de se machucar.
O balão já estava quase cheio de ar quente quando o comandante mais uma vez acendeu o grande maçarico (acho que este é o nome) e então ao mesmo tempo em que se fez um enorme barulho o balão começou a subir. Incrível!
Lentamente fomos ganhando altura. Eu estava em um dos cantos do cesto e como outras três pessoas eu tinha uma visão privilegiada porque conseguia ver em duas direções: à minha frente e à minha direita.
Eu havia imaginado que teríamos solavancos por causa do vento mas o quê! nada de solavancos ou qualquer outro desconforto. O balão subia lentamente, com graça, leveza, segurança e proporcionando a incrível experiência de se ver a imagem deslumbrante de uma manhã que ainda não tinha visto o sol, só os seus primeiros raios.
Eu pensei: "esta é a visão que os pássaros têm". Que sensação de liberdade, apesar de estar confinado dentro de um balaio. Imagine um pássaro que tem a liberdade da direção, da altura e da velocidade? Fantástico, nesta hora eu era um pássaro.
Total silêncio no balão, somente o barulho do maçarico quando subíamos.
De repente, o sol apareceu detrás das montanhas. Nunca vi um espetáculo assim. Sem exceção, todos que estávamos no balão reverenciamos o Astro Rei, mais do que todos nós, o comandante que se alegrou como se reencontrasse um velho amigo.
Ficamos uma hora no ar. Ora a 300 metros de altura, ora a 50 metros e o tempo todo alternando juntamente com outros tantos balões que subiram junto com o nosso. Acho que éramos uns 30! Que lindo espetáculo.
Chegou o momento da descida, mas agora eu já havia dominado minha ansiedade e não tinha nenhuma preocupação. "Vou encarar esta descida numa boa", pensei comigo. Abaixo de nós víamos a movimentação das carretas que se locomoviam e seguiam os balões para os seus destinos de descida com o objetivo de dar o necessário apoio.
Descemos longe do local de onde havíamos subido. No momento em que o cesto tocou o solo, o balão inclinou para a minha esquerda e arrastou o cesto por alguns metros, mas imediatamente o pessoal de terra o segurou e o fixou no chão. Já estávamos em terra e tudo tinha corrido bem.
Saímos do cesto com uma alegria contagiante, imagine 12 pessoas com esta emoção influenciando uma às outras. Parecia que éramos centenas de pessoas, tamanha era a algazarra. Compreensível depois de tanta adrenalina. Fomos agraciados com uma taça de champanhe porque este tinha sido o nosso batismo e cada um de nós recebeu seu certificado de vôo. Bacana, não?
Agora que sei qual é a sensação, já estou vislumbrando a possibilidade de fazer outro passeio desses. Não sei onde será? Só sei que será.
Vicente Picarelli Filho é Sócio da Consultoria em Capital Humano da Deloitte. Viajou de férias para Ilhas Gregas e Turquia no último mês de agosto com sua esposa Maria Lucia Picarelli (Malu).
O passeio de balão foi realizado na região da Capádocia, estado de Anatólia, região central da Turquia. O nome Cappadocia é tradicionalmente usado ao longo da história tendo como fonte tradições cristãs. Atualmente o nome é bastante usado no turismo internacional para definir uma região de maravilhas naturais excepcionais, em especial caracterizadas pelas famosas formações rochosas que se parecem com "chaminés de fadas" e também por ter um exclusivo patrimônio histórico e cultural. Mais informações sobre a região podem ser encontradas no site: http://en.wikipedia.org/wiki/Cappadocia. |