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Quem gosta de tomar pancada?

Por Ana Clara Cenamo

Pois é… Depois de escrever sobre a busca de uma terra do nunca e receber muitos e muitos e-mails fantásticos e solidários, solidários à causa porque comuns em termos de objetivos de vida, sonhos e queixas pela vida que levamos, passei um ano tentando colocar em prática aquilo sobre o que discorro e tem sido muito difícil, confesso.

Difícil porque é impossível levar adiante mudanças quando se está sozinho no ideal destas. Lutar por uma causa solitariamente nos torna mártires, só isso.

Não quero morrer por uma causa! Quero viver por ela e viver através da conquista do que ela defende!

Dei o título de Resiliência a este texto porque é algo que tenho elaborado há algum tempo.

Resiliência, do Latim. Resilientia, resilire, recusar, voltar atrás

"s. f., Mecân., capacidade de resistência ao choque de um material, definida e medida pela energia absorvida pela ruptura de uma amostra de secção unitária desse material; energia necessária por unidade de volume para deformar um corpo elástico até o seu limite de elasticidade."

Estava eu há algum tempo almoçando com uma amiga que trabalha com treinamento, seleção, coaching de executivos, a Luiza Ghisi, quando ela me falou pela primeira vez sobre resiliência.

Vindo de um termo da física, resiliência é a capacidade que um material tem de suportar grandes impactos de temperatura e pressão, se deformar ao extremo com isto, mas pouco a pouco conseguir se recuperar e voltar à sua forma anterior. Ou seja, resiliência é a capacidade que um material possui de sofrer muitos impactos, seja de pressão ou temperatura, se deformar inteirinho, quase "morrer", mas depois conseguir ir voltando ao que era antes e se refazer e se reconstruir. A memória da experiência vivida fica e acresce ao ser sua história e maturidade.

Neste ano que passou minha característica de alta resiliência foi posta à prova:

  1. Mudei de emprego e mercado – saí da Media Contacts (agência) e fui para a Getty Images (Banco de Imagens).
  2. Mudei de casa.
  3. Mudei de estado familiar – gerei e coloquei no mundo mais uma menininha, que veio para fazer crescer minha família de duas outras meninas.

Todas estas mudanças são sempre tidas como importantes e testam nossos limites de suportar as alterações no espaço, no entorno pessoal, nas relações.

Estar em um ambiente de trabalho novo significa objetivos novos, infra-estrutura nova, metas e conhecimentos novos, mas acima de tudo RELAÇÕES NOVAS.

E é disso que se trata.

E é aí que a resiliência faz-se necessária, pois é preciso nas relações novas suportar elementos que exigem uma "deformação", adaptação a um outro estado, sem perda da essência original.

Ocorre que somamos as próprias características e bagagem pessoal às novas exigidas pelas mudanças. Disso resulta a transformação em um novo ser, composto agora pelo que era, pelo que é da junção, e pelo que será no futuro.

Difícil isso? Sim, muito. E exige abertura, disponibilidade interna, aceitação. Uma pessoa que não ousa abrir-se ao novo, ao diferente, ao inusitado, o que aprende?

O que vive de alegrias novas ou de sofrimento?

Porque ser resiliente é suportar o sofrimento, que é parte intrínseca de todas as conquistas, pois estas sempre exigem uma dose de esforço, sacrifício e o submeter-se a estar em uma certa zona de desconforto temporário.

E passa, tudo passa! A vida passa!

Antes de morrer, minha mãe disse ao meu irmão mais velho: "Filho, a vida é tão bela! Mas ela passa tão rápido, tão rápido…"

Viver intensamente e verdadeiramente. Porque quando nos dermos conta, já foi!

Sendo assim, minhas palavras aqui hoje são de incentivo ao cultivo da resiliência em cada um de nós. Porque é necessária muita determinação para fazer um bom trabalho todos os dias e suportar as alterações que ele nos impõe a cada tempo.

Eu, por exemplo, agora, já estou tendo que me refazer e voltar a um estado anterior de forma, pois a maternidade, gravidez, parto e amamentação são uma prova absurda de resiliência: um “trator” que passa por cima de cada mulher que engravida, dá a luz e dá seu próprio leite a seu filho.

Nossa "deformação" na gravidez é completa: vai do físico ao emocional, envolvendo uma mudança de eixo que digo ser agora de 360 graus. Voltamos ao grau zero? Talvez, mas a "girada" deixa marcas perenes, uma delas e a maior delas, penso ser o amor de mãe.

Ana Clara Cenamo é publicitária e diretora comercial da Getty Images Brasil.

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