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"O homem é a síntese de todos os Nomes Santos. No homem, estão contidos todos os mundos, tanto o superior quanto o inferior. O homem contém todos os mistérios, mesmo aqueles que existiram antes da criação do mundo" (Sepher ha Zohar – O Livro do Esplendor)
Esse homem integral, de que fala o Zohar, está presente no interior de cada homem. De todos os homens. Porém encontra-se, quase sempre, adormecido. Pura potência. Pura latência. Luz encubada nas densas trevas do inconsciente. Mas a potência quer se fazer ato. O grande homem aspira despertar. E, eventualmente, encontra o veio que lhe permite alcançar, ainda que na fugacidade do instante, o plano da consciência. Poucos exemplos desse despertar nos falam tão de perto quanto o de Johann Wolfgang Goethe (1749-1832). Porque ele expressou, em sua obra e em sua vida, toda a ambigüidade do humano. Esse humano que rouba o fogo dos deuses. E traz, em seu peito, um pouco do céu, e do inferno também.
Por José Tadeu Arantes
Sua produção como poeta e dramaturgo é conhecida. Com apenas 25 anos, a publicação do romance Os sofrimentos do jovem Werther o transformou na voz da nova geração. A conclusão da primeira parte do Fausto, aos 41, consagrou seu nome como um dos maiores escritores de todos os tempos. E ele continuaria a lutar com seu gigantesco tema até os 82, quando concluiu, praticamente às vésperas da morte, a segunda parte do Fausto.
Menos conhecida, mas não menos importante, foi sua realização como cientista. Por isso, interessa-nos enfatizá-la aqui. Goethe realizou pesquisas em campos tão variados como a óptica, a geologia, a mineralogia, a botânica e a zoologia. Fez descobertas importantes, como a do osso intermaxilar no crânio humano. E elaborou uma teoria das cores alternativa à do grande Isaac Newton (1642-1727). Articulando essas realizações isoladas, destaca-se sua visão da natureza. No contra-fluxo da ciência dominante da época, ele a concebeu como uma totalidade orgânica e viva, em profunda conexão com o mundo espiritual, e não como um mecanismo frio e sem alma, constituído apenas por matéria em movimento.
Neste momento, em que a ciência busca novos paradigmas, a visão goetheana da natureza adquire inesperada atualidade. Suas derradeiras palavras são o resumo da busca que confere sentido a toda uma vida: "Mais luz!"
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