Investimento em sustentabilidade
Com iniciativas que viabilizam a participação direta das populações beneficiadas, a Fundação Orsa substitui o assistencialismo por programas sociais consistentes e eficazes.
Por Juliana Tavares
Incentivar o desenvolvimento sócio-econômico das populações pobres. Esta tem sido a preocupação legítima de alguns grupos empresariais. Um deles é o Orsa que, há 12 anos, destina 1% de seu faturamento bruto, independentemente dos resultados financeiros, à Fundação Orsa – uma incubadora de programas sociais voltados, principalmente, às áreas de educação, saúde e promoção social.
O modelo de atuação da Fundação Orsa engloba uma série de processos administrativos e técnicos, que vão desde a forma como a Fundação promove articulações e mobilizações locais para o desenvolvimento de suas propostas, até como trabalha a sustentabilidade de cada programa. Um exemplo é o projeto implementado pela entidade no Vale do Jarí, uma região localizada entre os Estados do Pará e do Amapá, em plena floresta Amazônica.
A região ficou famosa depois que o empresário norte-americano Daniel Ludwig instalou, às margens do rio Jarí, na década de 1960, uma fábrica de celulose "flutuante" vinda do Japão. O empreendimento provocou o desmatamento e estimulou o afluxo desordenado de pessoas que, atraídas pelo sonho de uma vida melhor, instalaram-se em precárias palafitas do outro lado do rio – o que ampliou os índices de prostituição, violência e vandalismo nas comunidades da região.
Diante da população muito característica da região (45% dela, na época, tinha menos de 18 anos e as mulheres até 25 anos possuíam, em média, seis filhos), a Fundação viu-se obrigada a desenvolver um projeto social que levasse em conta essa realidade, baseado no tripé: Educação Ambiental, Pesquisa e Geração de Renda. Os desafios atuais e a amplitude que o projeto tomou sinalizaram a necessidade de mudanças estruturais na forma de atuação da Fundação, revela Olavo Gruber, gerente geral da entidade.
Fortalecimento de organizações locais
Até recentemente, a grande maioria das ações desenvolvidas pela Fundação tinha como modelo a questão do atendimento direto da população, o que, apesar de garantir agilidade, provocava baixo índice de envolvimento das pessoas atendidas. A partir deste ano, nossa intenção é atuar em conjunto com o Poder Público e fortalecer as organizações locais de forma a potencializar os recursos, diminuindo os gastos com infraestrutura e pessoal. Para isso, levamos em conta três fatores: pessoas, impacto no planeta e lucratividade para as populações beneficiadas.
O primeiro passo para colocar esta nova estratégia em prática foi rever o diagnóstico da região, que sinalizou uma questão fundamental para o desenvolvimento local: o desenvolvimento de negócios sustentáveis. Isso quer dizer que, depois de identificadas as cadeias produtivas, com base nas potencialidades e vocações produtivas do Vale do Jari, são estudadas as possibilidades de parceria comercial com as empresas do Grupo Orsa e demais oportunidades de negócios existentes no mercado regional e nacional. A partir da definição dessas cadeias produtivas, são consideradas as necessidades sociais dos indivíduos envolvidos e priorizadas as mais urgentes e indispensáveis para o bem-estar das famílias participante, informa Gruber.
Para tanto, a Fundação Orsa pretende envolver diversos públicos, representados por organizações governamentais, não-governamentais, empresas, associações, universidades e moradores. A idéia é promover o comprometimento dos diversos segmentos da sociedade, sem gerar laços de dependência.
Entre as oportunidades já identificadas pelo diagnóstico da Fundação está a implementação de um projeto de geração de renda em comunidades rurais por meio do plantio de curauá, um pequeno abacaxi típico da região, cuja fibra serve para revestir bancos de automóveis.
Outros projetos que vão bem
Outros projetos da Fundação deixaram de ser casos particulares para se tornarem políticas públicas. É o caso do Método Mãe Canguru – um modelo de assistência pelo qual a mãe e o filho prematuro ficam juntos, pele a pele, 24 horas, até a alta hospitalar. Durante esse período, as mães recebem orientação especial, como cuidados com higiene da criança e a importância da amamentação. Promovido em parceria entre a Fundação Orsa, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o Ministério da Saúde, o método já foi adotado em diversos centros hospitalares do país.
Mais um exemplo de que a parceria entre a iniciativa pública e a privada beneficia a sociedade é o projeto de Gestão de Creches, desenvolvido pela Fundação Orsa a pedido da prefeitura de Caraguatatuba, no litoral norte paulistano. Na época, o município tinha duas creches de baixíssima qualidade. Assumimos a gestão técnica e administrativa destas entidades, desenvolvemos uma metodologia junto com a Prefeitura e, hoje, temos um modelo de creche de primeiro mundo com investimento muito baixo e qualidade de atendimento e profissionalização superiores, revela Gruber. Estamos repetindo parte deste programa em 22 municípios da região de Itapeva, no interior de São Paulo.
De acordo com o presidente do Grupo Orsa, Sergio Amoroso, essas ações fazem parte da missão da corporação. Nosso objetivo é poder, cada vez mais, juntar sociedade civil, governos e setor privado, em relações duradouras e eficientes nos diversos campos de necessidade da sociedade. Um exemplo que, sem dúvida, deveria ser seguido por outras companhias.