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As empresas rumo à espiritualidade
Por Dum de Lucca

Há mais de trinta anos, Koji Sakamoto deixou a carreira de executivo e vem ajudando indivíduos, grupos e empresas a superarem seus problemas e encontrarem um saudável ponto de equilíbrio. Inspirado pela filosofia de Mokiti Okada, ele já escreveu três livros de sucesso: "Encontrando um caminho", voltado para a evolução pessoal; "Em busca da felicidade no casamento", destinado ao aperfeiçoamento das relações conjugais; e Seja o que Deus quiser, focado no desenvolvimento profissional e empresarial. No total, vendeu mais de 60 mil exemplares, em países das Américas, Europa, Ásia e África.

Desde 1994, quando foi realizado em São Paulo um ciclo de estudos e palestras com o objetivo de aproximar as atividades profissionais da espiritualidade (Projeto Profissionais do Século XXI), Sakamoto vem atuando no âmbito educacional, conscientizando escolas, diretores e professores da importância da dimensão espiritual na formação das crianças. Como diretor da Fundação Mokiti Okada, lançou a revista em quadrinhos Planeta Azul, para apoiar o trabalho pedagógico.

Especializado em fidelização de funcionários e clientes, ele ministra atualmente o curso Empresa do Ser, que busca trazer a espiritualidade para a esfera empresarial. Foi com essa perspectiva que falou ao thenewlife.

O que é ser espiritualista?
Ser espiritualista é acreditar na existência de um mundo invisível que participa ativamente da evolução do mundo visível. É reconhecer a presença do espírito em todas as coisas. Está provado que os sentimentos e os pensamentos influenciam a matéria. Na atividade agrícola, para citar apenas um exemplo, essa dimensão espiritual é tão importante quanto as características do solo onde se realiza o plantio. O materialista não reconhece tal dimensão e acaba muitas vezes enveredando pelo caminho do egoísmo. O espiritualismo é uma postura de vida que combina elementos comuns a todas as religiões: amor, esperança, liberdade, igualdade.

A postura espiritualista pode ser adotada nas empresas?
Pode e muitas empresas já a estão adotando. Mas devemos tomar o cuidado de não confundir espiritualismo com religião. A religião é um assunto muito pessoal e a opção religiosa de cada funcionário precisa ser integralmente respeitada. A postura espiritualista deve ser entendida mais como uma mudança de visão de mundo, que, a partir da liderança, se propaga por toda a empresa. Algumas pessoas já vinham tomando iniciativas nesse sentido, porém, de forma organizada, só agora o processo ganhou vulto. Quando a empresa começa a definir sua filosofia, sua visão, sua missão, ela já está dando os primeiros passos concretos em direção à espiritualidade. Hoje, para ser completo, todo projeto precisa incluir, além dos aspectos técnicos, também a missão da organização, que até pouco tempo não era considerada. Em sua essência, a missão representa a espiritualidade.

Como direcionar essa implantação?
Muitas empresas estão procurando introduzir a espiritualidade. Isso, de certa forma, tornou-se um modismo. Porém, a verdadeira espiritualidade não está sento praticada na íntegra. Por exemplo, não está sendo considerada a influência de fatores invisíveis – como compaixão, motivação e respeito – em atividades que são essencialmente materiais. O paradigma materialista ainda é bastante presente nas corporações e as pessoas sentem dificuldade em adotar um novo paradigma. Por exemplo, quando um médico se gradua, ele faz um juramento que representa a espiritualidade. Mas poucos médicos seguem esse juramento e a maioria não acredita que ele seja de fato importante. O mesmo ocorre em relação à missão das empresas. É preciso que os dirigentes compreendam e acreditem na missão. E, a partir daí, que introduzam melhores formas de convivência nas organizações, valorizando os funcionários como parceiros e seres humanos. A empresa deve objetivar a felicidade não só de seus clientes como de seus colaboradores e isso requer transparência.

Há exemplos nesse sentido?
A Natura é um exemplo a ser seguido. Ela coloca em prática todos os requisitos de uma organização espiritual. Além de detectar as próprias fraquezas e os erros cometidos, a melhor maneira de uma empresa tornar-se servidora é atender a três requisitos básicos: a visão, a missão e a forma. A empresa não existe apenas para ganhar dinheiro, mas também para servir à sociedade. A Vale do Rio Doce tem um grande projeto de reflorestamento, o que é um bem comum. A cobrança da natureza existe: ela é forte e está presente em todos os processos naturais. Do ponto de vista material, esse problema é invisível. Para a implantação da espiritualidade nas empresas, outros fatores também precisam ser levados em conta. O desempenho profissional, por exemplo, sempre foi encarado como algo puramente cerebral. Mas não é assim. O máximo do desempenho é alcançado somente quando todos os níveis estão em sintonia: o espiritual (poderosa fonte de motivação e determinação), o intelectual (que mobiliza a energia emocional e física para a tarefa), o emocional (que cria o clima interno que impulsiona o desempenho), o físico (que realiza a atividade e promove a recuperação intelectual e emocional).

Qual a importância da espiritualidade corporativa?
Depoimentos dos empresários mostram que, hoje, o assunto ocupa um espaço importante no plano de desenvolvimento das empresas. Posso citar vários deles. O Sérgio Chaia, Presidente da Nextel, afirma: “Se você não trabalha com o coração não é competitivo. E o mercado não tem espaço para isso”. Marcos Cominato, diretor de RH, diz: “A espiritualidade é a consciência de que não viemos ao mundo para nos satisfazer, mas para nos colocarmos a serviço das outras pessoas”. O Marcos Aranha, empresário e consultor de desenvolvimento humano, declara que o profissional deve ser estimulado a se questionar sobre porque está aqui. Os executivos estão percebendo a relevância da espiritualidade. Estão percebendo que o pensar, o sentir e o agir transcendem a matéria. As empresas precisam compreender a real missão que deve nortear seu rumo. O Banco Real, por exemplo, não concede empréstimos para organizações poluidoras. O importante é definir sua filosofia e segui-la. As corporações que estão cumprindo suas metas de proporcionar bem-estar aos funcionários estão progredindo.

Qual a importância da espiritualidade corporativa?
É fundamental saber qual é a missão da empresa. É também relevante tomar conhecimento das leis da natureza, que regem todos os movimentos da humanidade. Por exemplo, o desmatamento sem consciência, que apenas destrói, sem pensar no bem comum, não é um ato espiritual. Hoje, o Amazonas tem 28% de mata natural preservada. Se continuar assim, esse patrimônio da humanidade vai desaparecer. O conhecimento e o exercício da espiritualidade na vida pessoal são importantes na primeira etapa. A principal maneira de exercitar a espiritualidade é estar sempre preocupado com o próximo: com os companheiros, com os funcionários, com os clientes. É estar sempre pensando em fazer o bem a eles. Depois, a espiritualidade será estendida a toda a empresa por meio da satisfação dos funcionários, que leva à fidelização dos clientes, meta tão almejada pelas empresas.

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Comentários
8/5/2008 18:20:30
Estou fazendo uma monografia sobre o assunto e, essa entrevista serviu para ajudar ainda mais o meu pensamento do que vem a ser Espiritualidade nas Organizações.
Ricardo Freire
cacorfca@gmail.com
1/2/2008 23:18:28
Muito legal esta entrevista. mas há empresas que praticam a espiritualidade, gostaria de saber..
Carlos Aranha
carlosa@uol.com.br
15/8/2007 22:21:44
Gostei muito da entrevista, parabéns! Eu pediria por gentileza que me enviassem mais informações sobre o trabalho do sr. Sakamoto. Um grande abraço e obrigada
Adriana souki
drisouki@yhoo.com.br
3/8/2007 16:13:33
é muito bom saber que a divindade no ser humano ainda pode ser o motivo maior de todos os nossos esforços na direção da paz e da harmonia, criando assim as verdadeiras condições para que possamos vive
geancarlos
geec2806@terra.com.br
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