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ENTREVISTAS
As experiências e as reflexões de quem trabalha para a evolução de pessoas, empresas e organizações.
 
O Profissional Certo para o Lugar Certo
Por Anapaula Ziglio de Andrade

Dinâmica, carismática, comprometida com os novos paradigmas empresariais, Laís B. Passarelli firmou seu nome no mercado como caçadora de talentos. É Graduada em Psicologia, Sociologia e Antropologia pela Universidade de São Paulo, aonde também tem seu Mestrado em Carreiras Profissionais na área de Psicologia Social e do Trabalho.

À frente da Passarelli Consultores desde 1991, empresa que atua na seleção de executivos, ela tem por missão encontrar o profissional certo para o lugar certo. Colecionadora de prêmios e recentemente tema da reportagem de capa da revista Vida Executiva, ela é a nossa entrevistada da vez. E, com a experiência de quem acompanha de perto a evolução dos valores das grandes organizações, garante: "o mundo dos negócios está mesmo mudando".

Como tem sido a sua experiência na busca de talentos?
Estou neste ramo de atividade há mais de 20 anos. E posso assegurar que identificar o talento certo para ocupar o lugar certo constitui um enorme desafio. Como atuo na procura de cargos estratégicos, tenho plena consciência da importância que determinada contratação tem para o sucesso da empresa cliente. Por outro lado, sei também que, para o candidato, uma movimentação de carreira tem repercussões profundas, tanto profissionais quanto pessoais. Não há como promover o ajuste perfeito, sem lastrear a escolha em valores como ética, transparência e credibilidade.

O que as empresas estão exigindo em termos de perfil?
Para as posições estratégicas, as empresas buscam profissionais com gosto e experiência comprovada em cumprimento de metas e resultados e alto poder de realização, mas que também tenham visão de longo prazo, capaz de garantir que a obtenção das metas imediatas não comprometa a perenidade do negócio e muitas vezes, da cultura. Com a globalização e a complexidade dos desenhos organizacionais, as habilidades lingüísticas, a intimidade com o ferramental tecnológico e a capacidade de lidar com abstrações ganharam importância. Os cenários virtuais também exigem habilidades de relacionamento mais desenvolvidas, uma vez que o time adquiriu nova dimensão, deixando de ser restrito a uma área geográfica para se tornar mundial. Sem falar do fato de que, muitas vezes, o superior hierárquico se encontra de um lado e o time do outro lado do planeta.

Quais as principais angústias e anseios dos executivos que você entrevista?
Encontrar sentido no que se faz é o anseio mais perceptível. Há profissionais que já ultrapassaram determinado patamar, o que os habilita a escolher projetos com os quais mais se identifiquem. O interessante é perceber que, do lado do empregador, já se sente também uma sutil mudança de perspectiva, com a preocupação de que o contratado efetivamente encontre esse sentido no trabalho.

E que sentido seria esse?
O que tem me chamado a atenção é o grau de comprometimento genuíno de algumas companhias com a sua missão na sociedade, o meio ambiente e o desenvolvimento humano. Neste momento, estou conduzindo a procura de um diretor de marketing para uma empresa européia que tem esses valores muito presentes em sua cultura. Além de bagagem profissional e competência gerencial para exercer a posição, o perfil procurado deve atender a fortes expectativas quanto a valores pessoais, busca continua do autoconhecimento e também da espiritualidade. O CEO da empresa, meu cliente, é enfático nas entrevistas e vai direto ao ponto: "procuramos um executivo que queira se engajar verdadeiramente na tarefa e na missão de nossa empresa e não alguém apenas interessado no emprego". O discurso é, sem dúvida, um forte indício de que o mundo dos negócios está mesmo mudando.

Como esse novo perfil se articula com o conceito de liderança servidora?
O líder servidor não legisla em causa própria. Sabe ouvir, é capaz de se colocar no lugar do outro e tem humildade suficiente para adotar uma postura de aprendiz. Primeiro, ele serve, provendo os liderados em suas necessidades e contribuindo para o desenvolvimento profissional e pessoal de cada um. Como exerce a liderança de forma verdadeira e natural, legitima-se pelo que é, e não pelo cargo que ocupa, conquistando confiança, respeito e admiração. Sem ficar preso a títulos ou posições, forma e promove seus seguidores, que, assim incentivados, passam a atuar na plenitude de suas competências. Pode parecer um perfil utópico, mas garanto que não é: ainda que não sejam maioria, esses profissionais existem e cada vez mais se destacam no mercado e são admirados pelo seu time e valorizados pelos clientes.

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Comentários
14/5/2007 22:39:48
Trabalho, vida pessoal e valores existenciais têm que andar juntos. Precisamos estar em sintonia com a empresa e satisfeitos por colher frutos do nosso esforço. Acredito nisto: o homem certo, no lugar
Janice Fontana
janicefontana@bb.com.br
8/5/2007 11:46:52
Lais, muito bem colocado. Muito bom senso. Parabéns.
irene ferreira azevedo
irene@mariaca.com.br
6/5/2007 06:39:19
Muito boa esta matéria.Concordo que se não houver ética, transparência e credibilidade a empresa não formará um time.Acredito tambem que muitos profissionais de consultoria não estão preparados para
Pedro Morbach
morbach@uol.com.br
4/5/2007 18:16:32
Espetacular, Um visão clara, humana com óticas diferentes agregou muito. Obrigado, Rodrigo Maia
Rodrigo Maia
rodrigomaiacarvalho@hotmail.com
4/5/2007 18:16:29
Espetacular, Um visão clara, humana com óticas diferentes agregou muito. Obrigado, Rodrigo Maia
Rodrigo Maia
rodrigomaiacarvalho@hotmail.com
3/5/2007 15:30:53
Este perfil descrito de quem busca o trabalho nâo só pelo dinheiro mas como tambem contribuição para a sociedade, em uma troca de crescimento para ambas [o ser humano que trabalha e essa sociedade],
Ana Lia Moraes Novaes
moraesnovaes@hotmail.com
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