Liderança Servidora
Imagino que o modo mais básico e eficaz de conectar-se com outra pessoa seja ouvindo. Apenas ouvindo. Talvez a coisa mais importante que damos uns aos outros seja nossa atenção. E especialmente se ela for dada de coração. Quando as pessoas estão falando, não é preciso fazer nada além de recebê-las. Simplesmente as acolha. Ouça o que estão dizendo. Importe-se com isso. Na maioria das vezes, importar-se é até mais importante do que entender. Muitos de nós não nos valorizamos ou nos amamos o suficiente para fazer isso. Demorei muito tempo para crer no poder de dizer simplesmente "sinto muito" quando alguém está sofrendo. E dizer com sinceridade.
Uma de minhas pacientes comentou que, quando tentava contar sua história, as pessoas com frequência a interrompiam para dizer que uma vez já lhes acontecera algo exatamente assim. De um modo sutil, a dor daquela mulher transformava-se em uma história a respeito de si mesma. Ela acabou parando de conversar com a maioria das pessoas. Era solitário demais. Nós nos ligamos aos outros ouvindo. Quando interrompemos o que alguém está dizendo para informar que compreendemos, deslocamos o foco da atenção para nós mesmos. Quando ouvimos, as pessoas ficam sabendo que nos importamos.
Cheguei até mesmo a aprender a responder a alguém que chora simplesmente ouvindo. Antigamente eu costumava procurar lenços de papel, até o dia em que percebi que passar os lenços para alguém podia ser apenas mais um modo de fazer a pessoa fechar-se, de afastá-la de sua experiência de tristeza e dor. Agora eu só ouço. Depois de ela ter chorado tudo o que precisava chorar, encontra-me ali, com ela.
Essa coisa simples não foi assim tão fácil de aprender. Certamente, chocou-se contra tudo o que me foi ensinado desde criança. Eu pensava que as pessoas ouviam só porque eram tímidas demais para falar ou não sabiam a resposta.
Um silêncio afetuoso muitas vezes tem maior poder de cura e de conexão do que as palavras mais bem intencionadas.
Autorizado pela Editora Agora
Do livro - Histórias que Curam - Rachel Naomi Remem - Editora Ágora
1998 Páginas 49, 50 e 51.