Trabalho e Carreira
Começo de ano é um tempo extremamente fértil para reavivar a rede de relacionamentos e se inteirar quanto aos planos das empresas para o novo período, colhendo informações que representam um arsenal estratégico para aqueles que efetivamente se empenham em gerir a carreira com assertividade e competência. Além de material farto na mídia, dando conta de balanços e perspectivas de setores e companhias, há no ar o rescaldo do clima mais amistoso que toma conta de todos no mês de dezembro e na transição do calendário. As condições favorecem o diálogo, pois as pessoas estão mais abertas para falar de seus projetos e também para ouvir os planos alheios – e é exatamente neste espaço de interação que podem surgir oportunidades singulares.
Por José Augusto Minarelli
Alguns ainda não despertaram para a dinâmica atual dos negócios, insistindo na ladainha de que o país só começa a funcionar depois do Carnaval. Ledo engano. É certo que há uma certa descompressão, seja pelas festas de final de ano ou pelas férias de verão. No entanto, ainda que as pessoas procurem tirar alguns dias para recarregar as baterias, as empresas continuam ativas e tocando seus projetos, cientes de que, em tempos globais e de acirrada concorrência, um cochilo pode ocasionar sérios danos ao desempenho e à competitividade. Neste contexto, o Carnaval se torna apenas mais uma desculpa no repertório daqueles que permanentemente deixam para o futuro o que já deveriam ter feito há tempos.
Não há dúvida de que entrar em ação requer energia, especialmente para aqueles que se encontram em processo de transição de carreira ou buscam dar uma guinada na trajetória profissional. O mercado melhorou, percebe-se um entusiasmo maior no ambiente de negócios, mas as vagas disponíveis permanecem insuficientes diante do número de pretendentes. A situação transcende o aspecto meramente quantitativo, aprofundando o descompasso entre a oferta do mercado de trabalho e as necessidades e expectativas das empresas.
O nível de exigência das organizações está, indiscutivelmente, mais elevado. Dos candidatos, freqüentemente ouvimos reclamações sobre processos seletivos muitos rigorosos e escassez de vagas. Por parte de empregadores e recrutadores, é recorrente a queixa de carência de perfis adequados às demandas. As posições existentes requerem profissionais diferenciados, multifuncionais, com histórico de bons resultados, carreira coerente, proativos, atualizados, dispostos e com atitude positiva.
Nesta peleja, quem está com a razão? Posso afirmar com tranqüilidade que, no fundo, ambos os lados. A competitividade do mercado exige que as empresas busquem aumentar a qualidade, reduzir custos e dar conta de uma série de outras questões como clima organizacional, responsabilidade sócio-ambiental, governança corporativa, inovação etc. Ou seja, as exigências para uma atuação de excelência também têm aumentado para as organizações. Como fazer frente a isso? Com gente verdadeiramente preparada e disposta a empreender o desafio.
Para aqueles que desejam prosperar neste cenário, mantendo-se competitivos, a lição de casa é extensa e exige esforços constantes. Ser um profissional de primeira, conhecido e lembrado de forma positiva, é só o começo.
O desafio de empreender não espera o Carnaval. Ainda que estejamos às vésperas da festa de Momo, há muito a fazer até lá. No campo profissional, aproveite o período pré-carnavalesco para reatar alguns nós da rede e preparar o terreno para uma nova aproximação na seqüência. Durante os quatro dias de folia, fortaleça os vínculos com parentes e amigos e, se tiver oportunidade, faça novos contatos. Networking é relacionamento, gente lidando com gente – um exercício natural, que pode ser feito sempre, a qualquer hora, mesmo durante o Carnaval.
José Augusto Minarelli é Presidente da Lens & Minarelli Associados Consultoria de Outplacement e Aconselhamento de Carreira de Executivos