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Contribuições para o aprimoramento da cultura, da ética e da espiritualidade.
 

Espiritualidade nos Negócios

A visão do futuro

Com a integração da economia mundial, é cada vez mais imprescindível que o profissional fale fluentemente, leia e escreva no mínimo dois idiomas. Formação superior e cursos de especialização são também pré-requisitos obrigatórios. Mas não é só isso. As empresas estão mudando. E essa mudança exige transformações no mercado de trabalho

Por Ana Cristina Stabelito

Há pessoas muito qualificadas que, além de dominarem nosso próprio idioma, ainda se expressam fluentemente outras línguas, têm intimidade com a tecnologia e acompanham a evolução do mercado, sendo especialistas no que fazem. É lógico que isso constitui um diferencial. Aliás, determinante para o progresso profissional. Mas, nestes novos tempos, existe um outro fator fundamental que já está sendo considerado por algumas empresas e organizações: a espiritualidade. O que é isso?

Muitos confundem espiritualidade com religião. São conceitos bem distintos. Espiritualidade é entender o homem como ser complexo, que percebe, sente, pensa e intui, e, portanto, deveria respeitar o outro, tal como ele é. Espiritualidade é ser altruísta, desejar a felicidade do outro e contribuir para isso. Espiritualidade é assombrar-se frente à onipotência do universo e viver de acordo com as leis da natureza.

O grande problema é que a espiritualidade não se aprende na escola. Não há curso que credencie alguém com as qualidades que ela engloba. É algo que só se adquire na vida, com as experiências positivas e negativas que moldam o caráter de cada um.

A empatia, a facilidade de relacionamento, a flexibilidade, a humildade são características de quem é espiritualista e compreende o seu papel no mundo. Quem sabe mais ensina quem está começando, com disponibilidade e paciência. Quem está insatisfeito se expressa com sinceridade, objetivando resolver a questão. Aquele que julga o tempo todo, recorrendo muitas vezes à ironia, que fala pelos cantos, mandando "recados" por meio de outras pessoas, que reclama com insistência, em vez de oferecer alternativas de solução, este, além de tumultuar o ambiente, está em claro descompasso com as novas expectativas do mercado de trabalho. E precisa, urgentemente, repensar sua postura como ser humano.

Às vezes, a vida apresenta desafios destinados a nos acordar, a estimular nossa reflexão, a fazer com que revisemos conceitos e abandonemos velhos padrões de comportamento. Há sempre alguma coisa que precisamos aprender com aquilo que somos "obrigados" a enfrentar. Se aceitarmos isso, conseguiremos "passar na prova sem precisar de recuperação". Caso contrário, continuaremos estagnados, amargos. E seremos deixados para trás por um mundo em permanente transformação.

O mercado de trabalho está buscando, cada vez mais, pessoas com atitudes corretas do que com experiências corretas. Não adianta ter um bom currículo, se você não é a um bom ser humano, investir em línguas, se não se comunica direito, cuidar da aparência física, se o interior está descuidado, pensar no futuro, se ainda não resolveu seu passado. A experiência profissional é uma parte da equação. Mas não é tudo. Nem o principal. As empresas e organizações começam a levar em conta o que está por trás da pessoa, quais são seus valores, no que ela acredita, qual é a força de seu caráter.

A empatia passou a ser uma competência. Saber servir o outro também. Será que estamos prontos para isso? As mudanças estão ocorrendo de forma cada vez mais acelerada. O perfil profissional de hoje já é muito diferente do que era há dez anos. E, daqui a dez anos, será mais diferente ainda. Existe uma rápida transição no mercado de trabalho porque os valores também estão mudando rapidamente. Combinar harmoniosamente o material e o espiritual constitui um enorme desafio. Mas é nele que reside a esperança.

Ana Cristina Stabelito é jornalista

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