Espiritualidade nos Negócios
Por Cristina Aiach Weiss
Boa parte dos profissionais de hoje considera o sucesso algo que transcende a alta remuneração ou um cargo sênior em uma empresa de renome. Esses homens e mulheres buscam mais do que rótulos vistosos e bajulações de interesses pessoais. Conhecem os riscos da entrega total às tarefas táticas, estão cientes da invasão de privacidade propiciada pela tecnologia, procuram resistir ao automatismo do mundo moderno. Em uma frase: questionam a qualidade e o sentido de suas vidas. Poucos sabem, porém, ao que recorrer para equilibrar suas existências e obter o máximo de satisfação em tudo o que fazem.
O mundo corporativo sempre foi muito cruel e tem-se tornado ainda mais conflituoso. A ausência de valores nobres nas relações humanas, a corrida desenfreada atrás de objetivos puramente econômicos, a competitividade exacerbada pelas novas exigências do mercado solapam o desenvolvimento pleno do indivíduo e da sociedade. Na rotina empresarial, a ética e o respeito são muitas vezes suprimidos em prol de ambições pessoais, estruturas hierarquizadas e políticas de curto prazo. Como afirmou o filósofo indiano Aurobindo Ghose (1872-1950), o dinheiro, uma força universal de origem divina, foi usurpado pelo ego, que abriu caminho para que influências hostis pervertessem sua verdadeira finalidade.
Nos níveis elevados da pirâmide corporativa, as relações são ainda mais difíceis. A enorme pressão por resultados, a exposição permanente às exigências dos superiores e ao ressentimento dos subalternos, a enlouquecida corrida pela produtividade, a falta de transparência no contato com os colegas geram uma atmosfera altamente tóxica. Podemos identificar, nessas posições, muitos executivos que não possuem preparo emocional ou mesmo técnico para assumir tamanha responsabilidade. Paira, entre eles, uma profunda insegurança. É um medo invisível que envenena os ambientes e contamina as relações. Com medo, produzimos menos. Produzindo menos, tornamo-nos inseguros. Tornando-nos inseguros, agimos de maneira egoísta e destrutiva.
A espiritualidade coloca em xeque esse modelo infeliz. A Espiritualidade é a busca incansável do sentido da existência e em tudo o que se faz. É a crença de que todas as nossas ações e seus resultados estão vinculados a um propósito maior. É a convicção de que um poder invisível sustenta e permeia o mundo visível. É a esperança de que podemos superar nossas limitações e comungar com essa realidade transcendental. Sem passar por cima das consciências individuais, sem cercear o livre arbítrio das pessoas, acredito que as empresas deveriam pautar-se por uma perspectiva mais espiritual e buscar ampliar seu papel na sociedade, tendo a nobre missão de fazê-la desenvolver-se pela prática do bem.
Como ocorre com os seres vivos, cada organização humana é dotada de um corpo físico e de um corpo sutil. E, debaixo de sua superfície visível, há forças invisíveis que modelam sua atuação. O lucro tem enorme e fundamental papel nas organizações, possibilitando, entre outras coisas, que elas realizem objetivos maiores como oferecer o retorno ao investimento de seus acionistas, reinvestir em tecnologias mais resolutivas, recolher impostos, produzir produtos de melhor qualidade e que aprimorem o bem estar de uma comunidade, gerar empregos e riqueza perenizando o próprio negócio em benefício de todos. Mas a busca legítima do lucro deve ser temperada por propósitos maiores como a priorização do respeito e da ética no tratamento com seus colaboradores, a valorização do espírito de servir, a atuação focada na melhoria da qualidade de vida de comunidades e regiões. Só assim, a empresa poderá beneficiar não apenas os acionistas, mas também seus funcionários, clientes, fornecedores e a sociedade como um todo. Depende do líder que conduz essa organização fazê-la brilhar e evoluir, para além das fronteiras do lucro, ao encontro de um horizonte grandioso.
Cristina Aiach Weiss é a idealizzadora do Portal Thenewlife.