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Trabalho e Carreira

O admirável mundo novo dos seniores

Há tempos que a demissão deixou de ser um episódio isolado, restrito aos que apresentam problemas de desempenho ou atitude, para se tornar uma realidade que espreita todo e qualquer indivíduo com vínculo empregatício formal. A drástica redução dos postos de trabalho, fruto de um ambiente de negócios que pressiona por maior produtividade, mais competitividade e constante redução de custos – ou seja, menos gente produzindo cada vez mais e melhor – faz da perda do emprego um risco de fato, demandando dos profissionais uma atitude proativa no sentido de alargar os horizontes e buscar novas alternativas de inserção no mercado. O processo não é fácil e chega a ser muito doloroso para alguns, mas exercitar a capacidade de pensar fora da caixa imprime mais assertividade à transposição dos obstáculos, permitindo enxergar (e criar) oportunidades efetivas para a evolução da carreira.

Por José Augusto Minarelli

A demissão é um choque, uma perda. Para a maioria das pessoas, representa a retirada de uma viga mestra, causando um desequilíbrio de grandes proporções. Nas esferas mais elevadas, vem acompanhada da queda do status, e traz o vazio da falta do sobrenome corporativo. O primeiro ímpeto é fazer mais do mesmo, procurando um novo emprego nos mesmos moldes do anterior. A tarefa nem de longe figura entre as mais simples, pois a oferta é e deve prosseguir escassa, especialmente nas grandes corporações.

Não que o emprego formal vá desaparecer. No entanto, em virtude de diversos fatores como os constantes movimentos de fusão e aquisição, o número de posições com carteira assinada tende a diminuir, impulsionando a adoção de novas modalidades de contrato de trabalho. A crescente contratação de profissionais como pessoa jurídica, para tocar projetos específicos, exemplifica bem o que está ocorrendo no mundo corporativo. De olho na redução de despesas fixas e em busca de maior flexibilidade, as empresas enveredam por esse caminho, notadamente com relação aos executivos mais seniores, cujos rendimentos têm impacto importante na composição dos custos.

Outra vertente que ganha espaço diz respeito à manutenção do vínculo empregatício dentro de uma perspectiva em que uma parte considerável da remuneração fica atrelada aos resultados obtidos. No raciocínio empresarial, a medida une o útil ao agradável: ao mesmo tempo em que promove o comprometimento do executivo com os objetivos da companhia, garante que não haverá dispêndios ou que esses serão relativamente baixos caso as metas não sejam alcançadas.

O ambiente é instável e desafiador, tanto para os que enfrentam uma transição de carreira, quanto para os que estão empregados e mesmo para aqueles que optaram por atuar como prestadores de serviços, autoempresariando o talento. Os tempos atuais exigem a revisão de velhos conceitos e antigos comportamentos em relação a emprego, segurança e remuneração.

A carreira, mais do que nunca, tem de ser entendida como um patrimônio valiosíssimo, que requer gestão acurada. Competência, atitude, atualização permanente, networking e idoneidade são pré-requisitos para permanecer no jogo.

Neste admirável mundo novo, com menos empregos e maiores desafios, ainda há e sempre haverá muita demanda por variados serviços. Postos de trabalho continuarão existindo, porém sob bases diferenciadas de contratação. Estamos observando a transformação do emprego em outras modalidades de prestação de serviços – e essa dinâmica passa a exigir dos profissionais um olhar distinto, essencial para compreender o entorno e proceder às alterações necessárias para garantir a empregabilidade hoje e no futuro, dando emprego a suas competências e habilidades.

Aqueles que estiverem preparados para atuar como uma "emprEUsa" sempre terão trabalho e remuneração. Isso, no entanto, só se torna possível com uma profunda mudança de mentalidade e postura, que encontra uma tradução perfeita na idéia de que é preciso trocar o DOS do emprego pelo Windows da prestação de serviços. O profissional dos novos tempos precisa empresariar o seu talento, tomando a iniciativa de oferecer e vender seus serviços. Em um ambiente de alta competição, quem fica à mercê das demandas pode ser engolido pela concorrência. Porque há muita gente que já despertou para o fato de que o mercado de trabalho não se constitui de vagas a preencher, mas sim de problemas a serem resolvidos – problemas esses que, por vezes, se traduzem sob a forma de vagas. Essas pessoas estão se mexendo, cientes de que há um mundo de oportunidades de obtenção de trabalho e renda para além das fronteiras do vínculo empregatício formal.

Aqueles que estiverem preparados para atuar como uma "emprEUsa" sempre terão trabalho e remuneração. Isso, no entanto, só se torna possível com uma profunda mudança de mentalidade e postura, que encontra uma tradução perfeita na idéia de que é preciso trocar o DOS do emprego pelo Windows da prestação de serviços. O profissional dos novos tempos precisa empresariar o seu talento, tomando a iniciativa de oferecer e vender seus serviços. Em um ambiente de alta competição, quem fica à mercê das demandas pode ser engolido pela concorrência. Porque há muita gente que já despertou para o fato de que o mercado de trabalho não se constitui de vagas a preencher, mas sim de problemas a serem resolvidos – problemas esses que, por vezes, se traduzem sob a forma de vagas. Essas pessoas estão se mexendo, cientes de que há um mundo de oportunidades de obtenção de trabalho e renda para além das fronteiras do vínculo empregatício formal.

José Augusto Minarelli é presidente da Lens & Minarelli Associados, consultoria de outplacement e aconselhamento de carreira de executivos. Autor dos livros "Empregabilidade – como ter trabalho e remuneração sempre", "Trabalhar por conta própria – uma opção que pode dar certo, “Venda seu peixe – como vender serviços profissionais" e "Networking – como utilizar a rede de relacionamentos na sua vida e na sua carreira".

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