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Autoconhecimento e Sentido

O sentido da vida

Na sociedade atual, que cultua o hedonismo e o individualismo, é muito comum encontrar pessoas deprimidas e infelizes. Queixando-se do "vazio existencial". Procurando, através do consumo exacerbado, drogas, busca desenfreada do prazer, um significado para suas vidas.

Desconhecendo que a busca do sentido da vida, que constitui a própria essência de sua humanidade, nada mais é do que uma "aventura" pessoal. Uma "interminável tentativa" de descobrir o significado da vida. A busca do "seu significado" e da "significância" de tudo com o qual se relaciona.

Os significados não podem ser inventados. São inerentes a cada evento da vida. A cada situação. O sentido tem que ser descoberto.

De nada adianta ao homem perseguir poder, segurança econômica, "status" profissional. Quando atua assim está apenas procurando atingir metas de vida. E estas não o conduzem, necessariamente, à felicidade e à segurança. Estes estados são obtidos quando um sentido é encontrado. Um valor é atingido. A busca de um "sentido" não é a busca de um rumo a seguir. Decorre da intensa experiência pessoal, estética, intelectual ou emocional.

O homem tem que ansiar por valores e buscá-los fora de si mesmo. Para Frankl, autor da Logoterapia ou "Terapia do sentido da vida", o "sentido deve estar na vanguarda do Ser". Considera inclusive saudável uma certa tensão, resultante da demanda por um sentido e o esforço para responder a esta demanda. Quando o homem evita este esforço cái no tédio, na apatia.

É o que observamos na sociedade moderna, na qual são colocados como objetivos, não ter frustrações, satisfazer a todas as necessidades e instintos. Resultado: profundo vácuo interior. Só quando o homem descobre um sentido na superação de suas dificuldades, se sente motivado.

Recentemente tive ocasião de observar no consultório, o comportamento de algumas pessoas em depressão. Antes de um dos muitos planos econômicos que foram implantados no Brasil sentiam-se sem objetivos, infelizes apesar da abundância de recursos e da "vida mansa". Depois, embora lamentando às vezes algumas perdas, estavam motivadas, lutando para equilibrar suas empresas, buscando alternativas para não dispensar ou afetar muito os seus empregados, atentas em contribuir para o controle da inflação que assolava o país. Por mais paradoxal que possa parecer, "sentindo-se bem", não deprimidas.

Por que isto? Qual a razão desta mudança?

- Estas pessoas passaram a ouvir o "despercebido grito pelo significado", como nos diz Frankl. Em lugar de se desesperarem, adotando uma visão puramente individualista, passaram a olhar um pouco mais longe do que a sí próprios e a seu pequeno mundo. Ampliaram suas perspectivas.

Desenvolveram uma responsabilidade para com seu próximo.

Segundo Fabry (1,17), o sentido da vida pode ser visto em dois níveis:

1- Sentido, último da existência: uma ordem universal onde cada um de nós tem um lugar. A pergunta que cada um tem de se fazer é:
- "Que lugar ocupo na totalidade da existência?"

2- Busca da própria identidade, de um propósito.
As perguntas a serem formuladas seriam:
- "Quem sou eu?"
-
"Quais os meus objetivos?"
-
"Para onde estou indo?"
-
"O que devo fazer?"

A autora Myriam Vallias de Oliveira Lima
(myrianvallias@uol.com.br) é psicoterapeuta cognitivo comportamental desde 1969.

(Fabry, J. B. - A busca do significado - São Paulo, ECE Editora, 1984;
Frankl, V - O sentido da vida - São Paulo - Editora N. Sra. Aparecida, 1989)

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