Autoconhecimento e Sentido
Vivemos tão obcecados com nossa visão empobrecida sobre nós mesmos que não paramos para observar e constatar que, o outro, seguramente, vive o mesmo que nós. Descobri, através do tempo, que a baixa auto-estima, ou a auto invalidade, é um sentimento comum a todos. As máscaras de proteção que usamos variam em suas cores: a segurança, o esnobismo, o orgulho, a timidez, a cara fechada e a antipatia. Nada mais são do que nuances dos disfarces do sentimento de inferioridade que atinge as pessoas.
E por que isso? Uma doença generalizada que machuca o coração, a alma, o corpo, causando infelicidade e destruição, contaminando a todos, independente da criação familiar, religiosa, cultural ou meio social.
Tenho diagnosticado essa doença, em todos os meus alunos, não apenas no Brasil. O que poderia ser considerada uma síndrome do terceiro mundo, ocorre também entre americanos e europeus. Recebemos massiçamente, desde que nascemos, informações diretas, ou indiretas, de que somos pequenos, menores, imperfeitos e pecadores. Permanentemente, somos manipulados pelo PODER, para que ele subsista através da CULPA de não correspondermos ao que seria esperado por nós.
Em casa a mensagem é:
- Por que você não é igual a mim (ao seu irmão, ao filho da vizinha, ao fulano)?
- Contente-se com o que já tem, é mais do que merece
- Você é frágil, precisa de mim para se proteger
- Me sacrifiquei a vida inteira por você!
Na religião:
- Você pecou
- Você tem que ser melhor do que é
- Cristo morreu na cruz para ter salvar. Arrependa-se dos seus desejos!
Do estado:
- Você não pagou os impostos como devia
- Ai estão os pobres passando fome
- Rico é ladrão, empresário é explorador
- Divida o que ganhou, com os outros
- Cuidado com a fiscalização
Sócio cultural:
- Somos subdesenvolvidos
- Pertencemos ao terceiro mundo
- Tudo o que é estrangeiro é melhor
- Lá sim eles sabem o que fazem!
Somos permanentemente bombardeados com milhares de informações que querem nos dizer a mesma coisa: VOCÊ É MENOS!
Dessa forma, passamos a vida inteira nos escondendo com medo que descubram que não somos o que pensam que somos: muito inferiores ao "outro". O que não imaginamos é que o "outro" está pensando e fazendo a mesma coisa. Ou seja, tentando manter-nos "embaixo" para que possam sentir-se "encima". Vítimas do "sistema", nos relacionamos através de máscaras, sempre representando para o "outro", tentando convencê-lo que "também somos" fossilizados pela nossa inferioridade. Culpa! De sermos o que somos...e incrivelmente iguais!
Anna Sharp - Terapeuta, consultora e personal coach
asharp@uol.com.br
www.annasharp.com.br