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CARPE DIEM

Polemico post do colega Adriano Silva, jornalista e publisher, escritor de mão cheia, no seu blog Manual do executivo do Portal Exame on-line.

Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico. Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4 000 metrosde água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim.

Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo.

Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo. Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.

Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. No fundo, só existe o hoje. O amanhã não existe!
Fiquei muito pensativa ao ler esta mensagem. Até escrevi para o Adriano e acabei acessando as dezenas de mensagens que ele recebeu. Muitas de crítica, outras de agradecimento. A minha é de admiração. Pelo pragmatismo e a coragem em falar de um tema tão triste, que é a morte, mas ao mesmo tempo tão necessário, que é a urgência em viver.

Sem tempo a perder!

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Transição de Carreira

Encontrei-me há semanas atrás com uma adorável ex-colega de trabalho que se encontra hoje em fase de transição de carreira. Como ela, muitos amigos meus estão em processo de rever suas escolhas, buscar novos horizontes profissionais num ambiente saudável aonde possam desempenhar suas competencias. Alguns por vontade própria, que é o caso dela, outros, involuntariamente foram convidados a se retirar das organizações nas quais trabalhavam. Para todos, a reflexão do recomeço trás dores e alegrias. Muitos sofrem de não terem encontrado ainda uma nova oportunidade a contento, sofrem pela solidão da rejeição imaginária, por terem sido desprezados e vítimas do jogo do poder político das grandes corporações, do medo de não serem mais úteis, de serem mal interpretados, de não serem capazes de se recolocarem. Outros usufruem a liberdade e a alegria de serem donos de seu tempo, de realizarem feitos que tanto sonharam e se conhecerem profundamente.

Nosso encontro rendeu várias cartas, que estão registradas no meu diário de vida. Uma pequena parte de uma delas eu transcrevo abaixo:
Creio mesmo que temos nesta fase, uma oportunidade única de tomarmos as rédeas de nossas vidas através de escolhas muito conscientes depois de um longo processo de amadurecimento e aprendizado. E, com isso tornarmos nossas existências mais amplas, ricas e plenas de valor real. Com todas as dificuldades e tropeços encontrados nos caminhos, tenho certeza de que podemos com nossos talentos, boa vontade e amor fazer desse mundo (mesmo o corporativo) um mundo muito melhor e mais alinhado para essa grande transição de era que provavelmente passamos.

Eu acredito na missão de colocar no mundo mais afeto, através da intuição e sutilezas femininas, sem agressividade, sem bandeiras e assim conduzirmos essa transição de forma mais eficaz. É muito importante conhecer o mundo do poder e suas estruturas de atuação notadamente masculinas mas devemos saber até onde vamos para compartilhar desses domínios sem rechaçar nossa feminilidade, singularidade e ineditismo. Preconceito, injustiças, jogadas políticas e intolerância estarão sempre nos testando e muitas vezes ganhando. Entender que isso é como é e conhecermo-nos profundamente nos torna mais fortes e blinda nossa auto-estima.

O que mais aprendi nesse processo foi valorizar os encontros que energizam, que encantam, que aumentam nossa potência de vida e esse nosso encontro foi assim. Como um vinho excepcional que ao final do gole o sabor permanece vivo por muito tempo. A vida, mais frequentemente do que pensamos nos dá sim segundas-chances de fazermos uma nova impressão até porque cada encontro é sempre uma oportunidade para nova impressão.
Há sempre algo muito valioso a ser aprendido num processo de transição de carreira, que se ainda não se concluiu, acredito ser porque o aprendizado ainda não foi absorvido.


É tempo da travessia

Ontem reencontrei duas grandes amigas de longas datas. Trabalhamos juntas há anos atrás numa bem sucedida corporação americana. Mudamos muito, mas a essência continua a mesma. Compartilhamos conquistas e medos. Encontramos umas nas outras, as respostas para nossas próprias questões. Todos trazem idéias de caminhos para nossos dilemas. Descobrimos que somos muito parecidas e que os desafios do mundo corporativo, que cada uma enfrenta, é comum entre todas. Não estamos sós. Do muito que concluímos sobre o processo de mudança e evolução, encontro o resumo no poema de Fernando Pessoa:
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma de nosso corpo.
E esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, à margem de nós mesmos

Este poema está no Boletim da Sociedade Antroposófica. A Antroposofia, do grego "conhecimento do ser humano", introduzida no início do século XX pelo austríaco Rudolf Steiner, pode ser caracterizada como um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo, que amplia o conhecimento obtido pelo método científico convencional, bem como a sua aplicação em praticamente todas as áreas da vida humana.

A Antroposofia, assim como outras Filosofias Milenares, trazem inúmeros insights para as inquietações humanas. Seus fundamentos estão nos diálogos rotineiros e desprentensiosos do dia a dia, sem que as pessoas tenham consciência de que estão falando sobre Elas.

Um caminho com uma saída para os labirintos do mundo moderno.


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