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O ponto cego

Boa a matéria de Monica Manir do Estadão deste domingo:Entre a cautela e o forte apelo ao perigo.

O insondável se aproxima. E turva a visão. E traz insegurança. E gera paranóias que alimentam o maior negócio do mundo: a indústria da redução do risco. Do vírus de uma gripe à guerra bacteriológica, do consumo de drogas à explosão do terrorismo, do desemprego à instabilidade no mercado de ações, todos os dias ameaças subjugam nossas mentes; como escapar do permanente estado de alerta?

O inglês John Adams, professor emérito de geografia da Universidade de Londres,autor do livro Risco, dá a pista: O homem terá de conviver dentro dele, ao mesmo tempo, com o Homo Prudens, que tudo controla e o Homo Aleatorius, que tudo arrisca. E ele completa:
Quanto a gerenciar o risco, relaxe. Risco é uma palavra que se refere ao futuro. Toda vez que me perguntam sobre risco, as pessoas querem na verdade saber como gerenciar melhor a vida. Entre minhas modestas sugestões, começo lembrando que seus palpites são fortemente influenciados por suas crenças e seu comportamento é muito influenciado por seus palpites.
Portanto, voltamos ao básico. Tudo começa com a atitude huamana. Rever crenças, palpites e comportamentos já é um bom começo para a segurança, mesmo que imaginária.


Empresas familiares preocupam-se mais com o bem estar de seus funcionários

Pesquisa feita pela IESE Business School chamada La Empresa Familiar: Percepciones de los Estudiantes de MBA relata que a maioria deles acredita que as empresas do tipo familiar são lugares melhores para se trabalhar do que as não familiares. Para eles, essas empresas tendem a pagar salários e bônus inferiores, mas compensam com benefícios não econômicos e atendendo melhor as necessidades cognitivas e afetivas dos funcionários, promovendo o seu bem-estar.

O bem-estar psicológico das pessoas, sublinha os estudantes, não depende só de fatores materiais e, para eles, é justamente essa capacidade de ir além do tangível o que diferencia as empresas familiares das outras, que procuram motivar os empregados com recompensas materiais. Isso é especialmente importante em momentos de crise, como o atual, em que se torna mais importante para as organizações antecipar-se aos fatos para garantir o bem-estar psicológico no ambiente de trabalho.

Os alunos também reconhecem que as empresas de caráter familiar têm mais dificuldades para atrair bons profissionais. Afirmam que essas empresas deveriam aproveitar mais, com esse objetivo, suas qualidades positivas como valorização da família e visão a longo prazo.

A pesquisa dá outras indicações. Os entrevistados acreditam, por exemplo, que o acesso à informação costuma ser mais difícil nas empresas familiares e que, nessas organizações, os funcionários têm menos liberdade para tomar decisões.

Mas, nesse sentido, é importante sublinhar que apesar do acesso à informação representar um desafio, especialmente para funcionários que não façam parte da família proprietária, o forte sentido de identidade e clima de confiança existente nessas empresas podem promover uma comunicação aberta.

Para os entrevistados, uma das principais vantagens das empresas familiares é justamente a capacidade de criar um ambiente de cooperação e confiança, ao lado do orgulho na participação no negócio.


O sentido de sofrer

Acessei hoje no site Núcleo Fé e Cultura, que tanto respeito seus organizadores, artigo de Sílvia Regina Brandão (psicóloga pela PUC-SP).

Abaixo reproduzo parte do artigo, muito bem redigido, que resume com sabedoria o que sempre acreditei com relação ao sofrimento e mais uma vez traz Viktor Frankl para o thenewlife.

Se o sofrimento é condição inextirpável da vida e é impossível não enfrentá-lo, faz-se necessário conjugá-lo com o sentido que tem a existência...

O sentido do sofrimento foi abordado de forma extraordinária pelo psiquiatra austríaco Viktor Frankl, seja mediante sua experiência pessoal ao ter sobrevivido a quatro campos de concentração, seja por sua contribuição original no campo da Psicologia e Psiquiatria, formulando a Logoterapia - terceira escola de psicoterapia de Viena -, que centra o processo terapêutico na busca de sentido para a existência, concebida como a principal força motivadora no ser humano.
Frankl conta que quando chegou a Auschwitz e precisou separar-se do manuscrito de seu primeiro livro, teve de sofrer e superar a perda desse filho espiritual. Ele relata que diante desta situação crítica sua primeira impressão era de que não conseguiria sobreviver, mas que, logo depois, percebeu que passou a ter uma preocupação diferente da maioria de seus companheiros: A pergunta deles era:
Será que vamos sair com vida do campo de concentração? Caso contrário, todo esse sofrimento não tem sentido.
A pergunta que atormentava a mim era:
Será que tem sentido todo esse sofrimento, toda essa morte ao nosso redor? Caso contrário, não faz sentido sobreviver; uma vida cujo sentido depende de semelhante eventualidade, escapar ou não escapar, em última análise, nem valeria a pena ser vivida
. (Frankl, V. Em busca de sentido. Petrópolis, Vozes, 1993, p. 103).

Descobrir o sentido e o valor que contém a experiência de sofrer é uma exigência humana fundamental: o sofrimento, a necessidade, a morte fazem parte da vida e configuram-na de um certo modo. Ser tocado e atravessado pelas questões que a vida coloca, pelo mistério inefável da existência, é condição necessária para o acontecer humano, para que se revele o modo propriamente humano de estar no mundo.

Frankl ajuda-nos a entender que a falta de êxito ou de sucesso não significa falta de sentido. Pelo contrário, o valor e o significado da existência podem se revelar de forma ainda mais abundante e profunda pelo modo de responder a limitações ou estreitezas impostas pelas circunstâncias. Estas condições são uma oportunidade ? em muitos casos a última - que a vida oferece para que a pessoa possa descobrir o valor absoluto da vida e assumir a sua existência, afirmando o valor único e irrepetível que ela contém. É portanto possível descobrir esse valor em meio a toda e qualquer situação, desde que a pessoa não considere a vida vagamente, mas encare a sua vida, e responda pessoalmente às perguntas vitais que lhe são colocadas.


Juventude sem brilho

Estive estes dias palestrando para alunos de uma das mais bem conceituadas universidades do Brasil. Falava ao grupo sobre auto-conhecimento e escolhas fundamentadas em valores. Conversa de grego para uma juventude que mal sabe opinar sobre a crise mundial. Fiquei abatida com a apatia e a falta de curiosidade de um grupo que se diz pertencente a elite brasileira. Notei um esvaziamento de curiosidade, de questionamento, de dúvidas e mesmo de inquietações.
Conversando semana passada com amigos profissionais da área de RH que conduzem grandes corporações e estes dias observando estes alunos, consegui entender as frustações destes profissionais:
Nós contratamos pelo curriculum e demitimos pelo comportamento. Porque o comportamento é o que determina o sucesso. Talento não é aquele que tem formação academica, passa nos testes e fala algumas linguas. Talento é aquele que mais se adapta, que cria na adversidade, que tem a capacidade de desafiar o status quo, é humilde e respeita o aprendizado como fator decisório para crescer. Ele está em qq lugar, tem qq idade e não depende de formação academica. Busque-os também na periferia, nos pequenos grupos, fazendo perguntas, inquietos com o mundo, querendo deixar seu legado e fazer a diferença. Os talentos são curiosos, autenticos, tem convicções e estão engajados em projetos que além de transformar o mundo que os rodeia, transformam a si próprios.
Uma pena a apatia da maioria dos jovens de hoje!


Quando tudo não é o bastante

Estive estes dias com meu amigo e conselheiro deste site, Sergio Chaia. Uma alma jovem, parte da nova geração de gestores, que querem mudar o modo de se fazer as coisas, que buscam o equilíbrio do ter e do ser e se esforçam diariamente para serem muito mais do que CEOs de grandes corporações.
Falavamos sobre bons livros.
Quando tudo não è o bastante do Rabino Harold Kushner da Editora Nobel. Escrito em 1986, um livro simples que vendeu mais de 1.300.000 exemplares nos EUA
Uma vida significativa não é alcançada através de uns poucos feitos grandiosos e imortais, mas sim por uma grande quantidade de pequenos feitos... O desafio é encontrar alguma coisa verdadeiramente humana para fazer em todos os dias da vida. Quando compreender que não há tempo para tudo ou descobrir que tentar comprimir tudo nas 24hrs do dia apenas faz com que você se canse e que as coisas fiquem imcompletas, ou que as pessoas com quem divide sua vida sintam que você nunca pára o tempo suficiente para que elas o conheçam bem.

Quais são os elementos inegociáveis de sua vida?
Quais as coisas que você deve ter, de qualquer maneira, para poder sentir que viveu a vida e não que a desperdiçou?

O Livro lembra o Eclesiastes da Bíblia Sagrada:
- pertença às pessoas;
- aceite a dor como parte de sua vida;
- saiba que você fez algo importante.

Não apreciamos o que recebemos, apreciamos o que dividimos.


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