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Transição de Carreira

Encontrei-me há semanas atrás com uma adorável ex-colega de trabalho que se encontra hoje em fase de transição de carreira. Como ela, muitos amigos meus estão em processo de rever suas escolhas, buscar novos horizontes profissionais num ambiente saudável aonde possam desempenhar suas competencias. Alguns por vontade própria, que é o caso dela, outros, involuntariamente foram convidados a se retirar das organizações nas quais trabalhavam. Para todos, a reflexão do recomeço trás dores e alegrias. Muitos sofrem de não terem encontrado ainda uma nova oportunidade a contento, sofrem pela solidão da rejeição imaginária, por terem sido desprezados e vítimas do jogo do poder político das grandes corporações, do medo de não serem mais úteis, de serem mal interpretados, de não serem capazes de se recolocarem. Outros usufruem a liberdade e a alegria de serem donos de seu tempo, de realizarem feitos que tanto sonharam e se conhecerem profundamente.

Nosso encontro rendeu várias cartas, que estão registradas no meu diário de vida. Uma pequena parte de uma delas eu transcrevo abaixo:
Creio mesmo que temos nesta fase, uma oportunidade única de tomarmos as rédeas de nossas vidas através de escolhas muito conscientes depois de um longo processo de amadurecimento e aprendizado. E, com isso tornarmos nossas existências mais amplas, ricas e plenas de valor real. Com todas as dificuldades e tropeços encontrados nos caminhos, tenho certeza de que podemos com nossos talentos, boa vontade e amor fazer desse mundo (mesmo o corporativo) um mundo muito melhor e mais alinhado para essa grande transição de era que provavelmente passamos.

Eu acredito na missão de colocar no mundo mais afeto, através da intuição e sutilezas femininas, sem agressividade, sem bandeiras e assim conduzirmos essa transição de forma mais eficaz. É muito importante conhecer o mundo do poder e suas estruturas de atuação notadamente masculinas mas devemos saber até onde vamos para compartilhar desses domínios sem rechaçar nossa feminilidade, singularidade e ineditismo. Preconceito, injustiças, jogadas políticas e intolerância estarão sempre nos testando e muitas vezes ganhando. Entender que isso é como é e conhecermo-nos profundamente nos torna mais fortes e blinda nossa auto-estima.

O que mais aprendi nesse processo foi valorizar os encontros que energizam, que encantam, que aumentam nossa potência de vida e esse nosso encontro foi assim. Como um vinho excepcional que ao final do gole o sabor permanece vivo por muito tempo. A vida, mais frequentemente do que pensamos nos dá sim segundas-chances de fazermos uma nova impressão até porque cada encontro é sempre uma oportunidade para nova impressão.
Há sempre algo muito valioso a ser aprendido num processo de transição de carreira, que se ainda não se concluiu, acredito ser porque o aprendizado ainda não foi absorvido.


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