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O sentido de sofrer

Acessei hoje no site Núcleo Fé e Cultura, que tanto respeito seus organizadores, artigo de Sílvia Regina Brandão (psicóloga pela PUC-SP).

Abaixo reproduzo parte do artigo, muito bem redigido, que resume com sabedoria o que sempre acreditei com relação ao sofrimento e mais uma vez traz Viktor Frankl para o thenewlife.

Se o sofrimento é condição inextirpável da vida e é impossível não enfrentá-lo, faz-se necessário conjugá-lo com o sentido que tem a existência...

O sentido do sofrimento foi abordado de forma extraordinária pelo psiquiatra austríaco Viktor Frankl, seja mediante sua experiência pessoal ao ter sobrevivido a quatro campos de concentração, seja por sua contribuição original no campo da Psicologia e Psiquiatria, formulando a Logoterapia - terceira escola de psicoterapia de Viena -, que centra o processo terapêutico na busca de sentido para a existência, concebida como a principal força motivadora no ser humano.
Frankl conta que quando chegou a Auschwitz e precisou separar-se do manuscrito de seu primeiro livro, teve de sofrer e superar a perda desse filho espiritual. Ele relata que diante desta situação crítica sua primeira impressão era de que não conseguiria sobreviver, mas que, logo depois, percebeu que passou a ter uma preocupação diferente da maioria de seus companheiros: A pergunta deles era:
Será que vamos sair com vida do campo de concentração? Caso contrário, todo esse sofrimento não tem sentido.
A pergunta que atormentava a mim era:
Será que tem sentido todo esse sofrimento, toda essa morte ao nosso redor? Caso contrário, não faz sentido sobreviver; uma vida cujo sentido depende de semelhante eventualidade, escapar ou não escapar, em última análise, nem valeria a pena ser vivida
. (Frankl, V. Em busca de sentido. Petrópolis, Vozes, 1993, p. 103).

Descobrir o sentido e o valor que contém a experiência de sofrer é uma exigência humana fundamental: o sofrimento, a necessidade, a morte fazem parte da vida e configuram-na de um certo modo. Ser tocado e atravessado pelas questões que a vida coloca, pelo mistério inefável da existência, é condição necessária para o acontecer humano, para que se revele o modo propriamente humano de estar no mundo.

Frankl ajuda-nos a entender que a falta de êxito ou de sucesso não significa falta de sentido. Pelo contrário, o valor e o significado da existência podem se revelar de forma ainda mais abundante e profunda pelo modo de responder a limitações ou estreitezas impostas pelas circunstâncias. Estas condições são uma oportunidade ? em muitos casos a última - que a vida oferece para que a pessoa possa descobrir o valor absoluto da vida e assumir a sua existência, afirmando o valor único e irrepetível que ela contém. É portanto possível descobrir esse valor em meio a toda e qualquer situação, desde que a pessoa não considere a vida vagamente, mas encare a sua vida, e responda pessoalmente às perguntas vitais que lhe são colocadas.


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