Proibição de reencarnação na China
Pasme. Tive acesso através de uma colega a esta matéria referente ao controle da crença da reencarnação do budismo tibetano pela China, escrita por Mathew Philips (*) para a Newsweek. Ed.20/27 de agosto.Num dos mais absurdos atos de totalitarismo da história, a China proibiu monges budistas do Tibete a reincarnar sem permissão governamental. De acordo com um comunicado emitido pela Administração Estatal de Assuntos Religiosos, a lei, que entra em vigor no próximo mês e que estipula estritamente os procedimentos pelos quais se deve reencarnar,
é um passo importante para institucionalizar o gerenciamento da reencarnação.Mas o motivo real se esconde atrás da ironia: cortar a influência do Dalai Lama, o líder espiritual e político exilado do Tibete, e sufocar o sistema religioso budista mais que 50 anos após a China ter invadido o pequeno país Himalaio. Ao barrar qualquer monge budista que viva fora da China de buscar a reencarnação, a lei efetivamente dá às autoridaddes chinesas o poder de escolher o próximo Dalai Lama, cuja alma, pela tradição, é renascida como um novo humano para continuar o trabalho de aliviar o sofrimento.
Aos 72 anos, o Dalai Lama, que vive na India desde 1959, começa a planejar a sua sucessão, dizendo que ele se recusa a renascer no Tibete enquanto este se encontrar sob controle chinês. Assumindo que ele seja capaz de superar a proeza de controlar o seu renascimento, como os Dalai Lamas supostamente têm feito nos últimos 600 anos, está se formando uma situação na qual poderá haver dois Dalai Lamas: um selecionado pelo governo chinês e o outro, por monges budistas. Será uma controvérsia muito acalorada, diz Paul Harrison, estudioso em Budismo em Stanford. O Dalai Lama tem sido o símbolo principal de unidade e identidade nacional no Tibete, e assim provavelmente a batalha por sua reencarnação será bem mais importante do que as demais.
Então em que lugar do mundo nascerá o próximo Dalai Lama? Harrison e outros estudiosos em Budismo concordam que é provável que seja entre os 130 mil exilados tibetanos espalhados pela India, Europa e América do Norte. Com um número estimado de 8 mil tibetanos vivendo nos EUA, o próximo Dalai Lama poderia nascer americano? Você terá de perguntar-lhe, diz Harrison. Se sim, ele provavelmente será bem vindo numa cultura que vem cada vez mais abraçando a reencarnação com o passar dos anos. De acordo com uma pesquisa Gallup em 2005, 20% de todos os adultos americanos acreditam em reencarnação. Pesquisar recentes feitas pelo grupo Barna, uma organização sem fins lucrativos cristã, descobriu que um quarto dos cristãos americanos, incluindo 10% de todos os cristãos reconvertidos, a adotam como sua visão preferencial de fim de vida. Um Dalai Lama não tibetano, dizem os especialistas, provavelmente está fora de questão.
© 2007 Newsweek, Inc.
http://www.msnbc.msn.com/id/20227400/site/newsweek/
(*) Tradução: Klaus Röthig
| postado por Cristina Aiach em |
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